quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ACERVO DO MUSEU DA POLÍCIA CIVIL - AUDIÊNCIA PÚBLICA - COLEÇÃO DOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS

No dia 19 de setembro de 2017, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, ocorreu uma audiência pública promovida por deputados da oposição, principalmente do PSOL, para falar sobre o Acervo dos Cultos Afro-brasileiros do Museu da Polícia Civil com proposta de natureza política de "devolução" da coleção museológica para entidades privadas ligadas às religiões de matriz africana.
Desprezando o importante trabalho de preservação realizado pelo Museu nos últimos oitenta anos, defendem a retirada de bens do patrimônio cultural do Estado da sua posse para entregar a particulares.

Na audiência pública compareceu o Diretor do Museu da Polícia, Dr. Cyro Advincula da Silva que no seu pronunciamento mostrou o absurdo do pleito.



PRONUNCIAMENTO DO DR. CYRO ADVINCULA DA SILVA


Exmo. Senhor Presidente

Exmos. Srs. Deputados

Ilustres convidados presentes


Representando o Museu da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro agradeço o convite para participar desta importante audiência pública.
Vou aproveitar o tempo que me foi concedido para falar sobre o tema em pauta, a Coleção de Cultos Afro-brasileiros do Museu da Polícia e a casa que a abrigou por quase oitenta anos e preservou a sua existência por esse longo período.

O Museu da Polícia Civil foi criado em 1912 junto com a Escola de Polícia do Rio de Janeiro com a missão de divulgar os progressos alcançados pela nova polícia judiciária da República, moldada nos padrões da polícia francesa e ao mesmo tempo servir como meio auxiliar de ensino para o aprimoramento profissional dos alunos dos cursos de formação ministrados pela Escola.

Tem como sede o Prédio Histórico da Polícia Civil, situado no Centro do Rio, na Rua da Relação 40, no momento em obras de restauração. Em razão dessas obras encontra-se instalado provisoriamente no prédio anexo do mesmo endereço, aberto ao público em geral, inclusive aos grupos escolares.

É um museu histórico que guarda a memória secular da instituição policial e ao mesmo tempo eclético por preservar diversificado acervo resultante da interação da corporação com a vida da cidade e do estado do Rio de Janeiro.

Dentre as diversas coleções que abriga encontra-se a Coleção de Cultos Afro-brasileiros integrada por objetos religiosas oriundos da umbanda e candomblé, que ,foram transferidos para o Museu no final da década de 30 e que anteriormente se encontravam na 3ª Delegacia Auxiliar em decorrência das apreensões ocorridas nos primeiros anos do século XX em terreiros de religiões de matriz africana da cidade do Rio de Janeiro.

Com mais de quatrocentas peças teve parte delas, quase duzentas, tombadas pelo então recém criado SPHAN, órgão de proteção ao patrimônio histórico e artístico criado em 1937 pelo governo federal. O requerimento de tombamento foi feito por iniciativa do Delegado Sylvio Terra, autoridade sob a qual o Museu estava subordinado, como mais uma providência em favor da sua preservação e em reconhecimento da importância cultural e etnográfica que continha.

Hoje, esse conjunto de peças que se constituem num importantíssimo bem do patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro se encontra em bom estado de conservação, embora tenha origem centenária.

A Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro através de Convênio celebrado com a Secretaria de Segurança Pública, incluiu dentre os seus objetivos o desenvolvimento de um trabalho a cargo de pessoal especializado da Superintendência de Museus do Estado que visa o reestudo e catalogação da coleção e provavelmente num futuro próximo a sua exposição num espaço cultural estadual. O Senhor Rafael Hallack, ilustre Superintendente Estadual de Museus da Secretaria Estadual de Cultura, presente nesta audiência certamente poderá melhor esclarecer os detalhes do programa.

Outro dia li numa página política das redes sociais que as peças dos cultos afro-brasileiros estavam aprendidas no nosso Museu. Um museu não apreende as suas peças, um museu as preserva, pesquisa e expõe.
Todos os museus constituem os seus acervos com objetos os mais variados que pertenceram a outras pessoas, grupos ou nações e que por circunstâncias históricas vieram a abrigar dentro dos seus espaços culturais. Os museus não criam ou produzem as riquezas que possuem. Os museus as recebem com a finalidade de preservá-las para as gerações futuras. É essa a natureza dos museus.

Os museus são grandes coleções de bens produzidos pela civilização ou encontrados em nosso planeta. Para que um museu possa existir lhe é reconhecido o direito de preservar íntegra a sua grande e diversificada coleção, pois se fosse permitido o seu desmembramento em pouco tempo se desfiguraria como museu. Por esse motivo o Direito protege as coleções museológicas tornando-as indivisíveis.

Do período de oitenta anos que a Coleção dos Cultos Afro-brasileiros integram o acervo do Museu da Polícia Civil as suas peças deixaram de ser exibidas nos salões de exposição por período inferior a um quarto desse tempo por dificuldades que se seguiram à mudança de sede e abalos estruturais causados por uma edificação vizinha. A permanência em reserva técnica é um fato comum em todos os museus, mas não significa que deixou de haver o interesse em torná-las visíveis à sociedade, sua verdadeira herdeira.

É, em rápidas palavras, o que me ocorre transmitir.
Obrigado a todos. 

Cyro Advincula da Silva
Diretor do Museu da Polícia Civil


quarta-feira, 14 de junho de 2017

COLEÇÃO DE CULTOS AFRO-BRASILEIROS - NOTA DA AAMPOL

A AAMPOL - Associação de Amigos do Museu da Polícia Civil 

INFORMA:

O MUSEU, órgão de natureza cultural, preserva há cem anos um precioso acervo de peças originárias dos cultos afro-brasileiros, que lhes foram confiadas em razão das suas atribuições e competências museológicas.

Esse acervo encontra-se muito bem conservado, foi tombado no IPHAN por iniciativa do Museu e existe até os nossos dias graças aos cuidados dispensados para a sua preservação e esse fato nunca foi contestado.

Ultimamente grupos políticos, na ânsia de se promoverem, têm usado de falsos argumentos para distorcerem a realidade com ridículas notícias de “aprisionamento” das peças, má conservação ou seu desaparecimento.

Lamentável, mas próprio da política.

Entretanto, deve ser entendido que o Museu COM JUSTO DIREITO continuará a preservar e expor essa Coleção de grande valor cultural e etnográfico cumprindo a sua finalidade e a serviço da sociedade.

Finalmente, PARA QUEM NÃO SABE, peças e coleções dos acervos dos museus no mundo civilizado NÃO SE TRANSFEREM. A última vez que isso ocorreu foi sob a dominação nazista na Europa.

COLEÇÃO DE CULTOS AFRO-BRASILEIROS - NOTA DA AAMPOL NO FACEBOOK


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Impopulares, TUCANOS reivindicam acervo de Cultos Afro-Brasileiros

No dia 18 de janeiro de 2017, surge no Museu da Polícia Civil a Sra. Luislinda Valois, acompanhada de auxiliares e elementos do PSDB, para reivindicar a importante Coleção de Cultos Afro-Brasileiros preservada por essa importante e centenária instituição cultural.

Alheia a condição desse patrimônio de bem patrimonial do Estado do Rio de Janeiro, anunciou que o levaria para Brasília, não disse como nem porque, mas como militante das fileiras "tucanas" imagina-se mais uma investida de uma política menor destinada a angariar alguns votos para a impopular legenda partidária.

Luislinda Valois apresentou-se como Secretária da Igualdade Racial do Ministério da Justiça. Dias depois o Governo Temer criou o Ministério de Direitos Humanos e dita senhora foi nomeada como sua titular.

Num governo que direciona a sua política contra as classes populares e elabora leis ignorando os direitos de trabalhadores e servidores públicos, torna-se difícil entender para que serve um órgão supostamente relacionado com os direitos humanos.

Importante, pois, fazer uma retrospectiva sobre o Museu da Polícia Civil, criado em 1912 sob a cúpula da recém inaugurada Chefatura de Polícia do Distrito Federal (1910), situado em salões do último andar como um convite aos cidadãos para visitarem o Museu e percorrerem livremente as instalações da sua central de polícia.

Dada a importância da existência da instituição policial para a sociedade e a estreita ligação da sua história na capital federal com a história da nação, optou-se por torná-lo o museu histórico da corporação a que pertence.

A sua Coleção de Cultos Afro-Brasileiros, nome adotado em substituição ao título do tombamento - Museu de Magia Negra - já que as peças do acervo com ele não condizem e muitas delas não se incluem na relação tombada, vem sendo preservada com especial cuidado por esta instituição há quase um século, cujos dirigentes, reafirmando o seu zelo, promoveram o competente registro nesse órgão de proteção.

Esse acervo tornou-se parte da história da instituição policial que o acolheu em seu museu pela importância atribuída diante do seu valor para a Cultura Brasileira.

Torna-se notório, ao contrário das conclusões do laudo, não estar ele apreendido em sede policial, mas preservado num museu público do Estado do Rio de Janeiro, ao qual se deve a sua integridade até os dias atuais.

Estapafúrdia e até arbitrária seria a ideia de querer padronizar o acervo deste Museu limitando-o a objetos de uso policial. Além de desconsiderar boa parte da sua eclética coleção se afastaria cada vez mais dos demais congêneres com coleções de temáticas bastante diversificadas.

Acresce que peças de acervo de museus não se transferem, caso o Laudo esteja a ventilar tal ideia. Se assim fosse, os museus da Europa já teriam devolvido toda a Arte da Antiguidade tomada manu militari dos países de origem.

Sob o aspecto jurídico o Código Civil Brasileiro protege a indivisibilidade das coleções, assim considerados os acervos dos museus. Se a cada surto decorrente das fraquezas humanas fosse possível retirar peças ou coleções dos museus eles, por certo, não teriam vida longa.


Hoje em reserva técnica, como em reserva técnica estão a maior parte dos acervos dos museus do mundo, existe um sério projeto de reinstalar a exposição de Cultos Afro- Brasileiros em breve espaço de tempo no Prédio Histórico da Polícia Civil, sede deste Museu.